sábado, 21 de maio de 2011

INTRODUÇÃO À LITERATURA APOCALÍPTICA

            

INTRODUÇÃO À LITERATURA APOCALÍPTICA

Autor: Pr. Marcelo Rodrigues de Aguiar (*)apocalipse    
        Definição: um apocalipse é um livro que contém revelações reais ou alegadas de segredos celestiais ou dos eventos que acompanharão o fim do mundo e a inauguração de uma nova época. Os apocalipses floresceram no seio do judaísmo entre 200 aC e 100 dC, imitando o livro de Daniel. Eles surgiram em um meio de perseguição para explicar o sofrimento dos justos e a demora do Reino de Deus, e também para preencher o vácuo profético. Todo apocalipse é escatológico, mas nem toda escatologia é apocalíptica. Escatologia é a “doutrina das últimas coisas”.
            Diferenças entre os gêneros profético e apocalíptico:
PROFECIALITERATURA APOCALÍPTICA
Ênfase na “Palavra do Senhor”Revelações e visões no lugar de “assim diz o Senhor”
Experiências psicológicas e místicas genuínasRevelações e visões como simples recurso literário
Originalmente oralOriginalmente escrita
Fala-se em nome do Senhor diretamente ao povoUsa-se pseudônimos, atribuindo a obra a santos do passado
Uso de símbolos como um dos recursos para a pregaçãoSimbolismo como recurso principal
O nome dos impérios e governantes é explicitamente mencionadoDelineia-se a história sem mencionar nomes históricos, através de símbolos
Ênfase no presente, com profecias para o futuroÊnfase no futuro, que se faz artificialmente presente
Futuro como conseqüência do presenteFuturo independente do presente ou da conduta do povo
Conceito básico do mundo e da redençãoDesenvolvimento deste conceito básico na concepção de duas “eras” separadas pela intervenção divina
Otimismo quanto à era presenteFatalismo, pessimismo quanto à era presente
Exortação moral e religiosaConsolação sem correção
Mensagem clara, compreensível para todosEscrita tanto para esconder quanto para revelar
Visões simples, tiradas da realidade cotidianaVisões fantásticas, espetaculares
Os impérios são instrumentos na mão de DeusOs impérios são adversários de Deus
             Daniel e Apocalipse têm características que os diferem de todos os outros apocalípticos. Foram incluídos no cânon. Não apelam a nenhum santo do passado para ter autoridade. Falam do presente, mas reconhecem que nem tudo se cumprirá nos seus dias. Representam uma inovação, enquanto que os outros são uma simples imitação de fórmulas. O Apocalipse de João é otimista e possui urgência moral e profética: consolação, exortação e evangelismo.
             Livros apocalípticos aC: Daniel, Livro dos Jubileus, 1 Enoque, Os Testamentos dos Doze Patriarcas, Oráculos Sibilinos, Os Salmos de Salomão, A Obra Zadoquita.
             Livros apocalípticos dC: Assunção de Moisés, 2 Enoque, A Vida de Adão e Eva, 2 (4) Esdras, Apocalipse de Baruque, Ascensão de Isaías, Apocalipse de Abraão, Testamento de Abraão, Apocalipse.
             Simbolismo dos números: 1 = unidade, único. 2 = fortaleza, testemunho. 3 = Deus, Trindade. 4 = a terra, o mundo. 5, 10 = perfeição e força humanas. 6 = o mal. 7 = o número sagrado. 3 e meio = tribulação intensa mas passageira.
             O melhor meio de interpretar os símbolos é descobrir a verdade central que está sendo apresentada e não dar muita importância a detalhes.
             Métodos de interpretação de Apocalipse e de Daniel:
  • 1) Futurista: O livro todo trata de eventos do fim do mundo.
  • 2) Histórico: O livro prevê a história da apostasia da igreja católica.
  • 3) Idealista: O livro é uma explicação das forças que conduzem a história.
  • 4) Preterista: O livro todo se cumpriu nos dias do autor.
  • 5) Formação histórica: O livro se cumpriu em maior parte nos dias do autor, mas algumas profecias ainda vão se realizar.
 Posições quando à doutrina do milênio:
1) Pré-milenismo: Jesus volta, há um período de paz, ocorre a rebelião final, vem o juízo final. Pré-milenismo dispensacionalista: a igreja é arrebatada, Israel é salvo sob uma dispensação diferente. Pré-milenismo não-dispensacionalista: é a igreja que se destaca após a volta de Cristo. Existem ainda o pré-milenismo tribulacionanista e o não-tribulacionista, sendo que o tribulacionista se divide em pré-tribulacionista, mid-tribulacionista e pós-tribulacionista. Os pré-milenistas são futuristas. Scofield, Win Malgo, “Deixados Para Trás”.
2) Pós-milenismo: O milênio chega construído pelos cristãos, a igreja se destaca, Jesus volta, vem o juízo final. Muitos americanos. Popular no Séc. XIX.
3) Amilenismo: Não há “milênio”; ele é apenas uma referência da vitória de Cristo sobre Satanás. Não há dispensação especial para os judeus. Jesus volta, vem o juízo final. Muitos eruditos.
Há duas posições antagônicas com respeito à literatura apocalíptica:
1) os livros não são lidos por serem confusos e não apresentarem mensagem prática relevante;
2) os livros recebem o mais alto lugar na Bíblia, pois esclarecem segredos do tempo do fim.
As duas posições são erradas, porque consideram o Apocalipse espiritualmente (devocionalmente) sem valor. “A recusa em estudá-los jamais poderá descobrir os profundos princípios espirituais em que estão baseados; por outro lado, a obsessão de querer relacioná-los com os eventos atuais converte os livros em intrincado enigma para ingênuos, em lugar de apresentar a mensagem espiritual que contém para almas necessitadas” (Rowley).
            Na literatura apocalíptica encontramos princípios espirituais dignos e verdadeiros para todas as gerações. Ela nos mostra que Deus está dirigindo a história, mas que isso não elimina a liberdade humana. O fim do mundo será precedido por um tempo inédito de sofrimento e maldade. O espírito do Anticristo sempre está presente. A fé nasce da experiência com Deus. O Reino de Deus é uma realidade, e sua consumação, uma promessa. Deus pode redimir o mundo e o homem. Deus não abandona o homem em tempos de sofrimento. O julgamento final é uma realidade. Em toda a literatura apocalíptica, há um sentido de urgência, de estar alerta.
FONTES:       ROWLEY, H. H. A importância da literatura apocalíptica. Paulinas.
                         SUMMERS, Ray. Digno é o Cordeiro. JUERP.
                         LADD, G. Eldon. Apocalipse: introdução e comentário. V. Nova.
                         ELWELL, W. Enciclopédia hist. teol. da igreja cristã. V. Nova.
(*) Pr Marcelo Rodrigues de Aguiar é pastor títular da Igreja Batista em Mata da Praia, professor do SETEBES – Seminário Teológico Batista do Estados do Espírito Santo, bacharel em Teologia e Psicologia, Psicólogo clínico e escritor.

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