INTRODUÇÃO À LITERATURA APOCALÍPTICA
Autor: Pr. Marcelo Rodrigues de Aguiar (*)
Definição: um apocalipse é um livro que contém revelações reais ou alegadas de segredos celestiais ou dos eventos que acompanharão o fim do mundo e a inauguração de uma nova época. Os apocalipses floresceram no seio do judaísmo entre 200 aC e 100 dC, imitando o livro de Daniel. Eles surgiram em um meio de perseguição para explicar o sofrimento dos justos e a demora do Reino de Deus, e também para preencher o vácuo profético. Todo apocalipse é escatológico, mas nem toda escatologia é apocalíptica. Escatologia é a “doutrina das últimas coisas”.Diferenças entre os gêneros profético e apocalíptico:
| PROFECIA | LITERATURA APOCALÍPTICA |
| Ênfase na “Palavra do Senhor” | Revelações e visões no lugar de “assim diz o Senhor” |
| Experiências psicológicas e místicas genuínas | Revelações e visões como simples recurso literário |
| Originalmente oral | Originalmente escrita |
| Fala-se em nome do Senhor diretamente ao povo | Usa-se pseudônimos, atribuindo a obra a santos do passado |
| Uso de símbolos como um dos recursos para a pregação | Simbolismo como recurso principal |
| O nome dos impérios e governantes é explicitamente mencionado | Delineia-se a história sem mencionar nomes históricos, através de símbolos |
| Ênfase no presente, com profecias para o futuro | Ênfase no futuro, que se faz artificialmente presente |
| Futuro como conseqüência do presente | Futuro independente do presente ou da conduta do povo |
| Conceito básico do mundo e da redenção | Desenvolvimento deste conceito básico na concepção de duas “eras” separadas pela intervenção divina |
| Otimismo quanto à era presente | Fatalismo, pessimismo quanto à era presente |
| Exortação moral e religiosa | Consolação sem correção |
| Mensagem clara, compreensível para todos | Escrita tanto para esconder quanto para revelar |
| Visões simples, tiradas da realidade cotidiana | Visões fantásticas, espetaculares |
| Os impérios são instrumentos na mão de Deus | Os impérios são adversários de Deus |
Livros apocalípticos aC: Daniel, Livro dos Jubileus, 1 Enoque, Os Testamentos dos Doze Patriarcas, Oráculos Sibilinos, Os Salmos de Salomão, A Obra Zadoquita.
Livros apocalípticos dC: Assunção de Moisés, 2 Enoque, A Vida de Adão e Eva, 2 (4) Esdras, Apocalipse de Baruque, Ascensão de Isaías, Apocalipse de Abraão, Testamento de Abraão, Apocalipse.
Simbolismo dos números: 1 = unidade, único. 2 = fortaleza, testemunho. 3 = Deus, Trindade. 4 = a terra, o mundo. 5, 10 = perfeição e força humanas. 6 = o mal. 7 = o número sagrado. 3 e meio = tribulação intensa mas passageira.
O melhor meio de interpretar os símbolos é descobrir a verdade central que está sendo apresentada e não dar muita importância a detalhes.
Métodos de interpretação de Apocalipse e de Daniel:
- 1) Futurista: O livro todo trata de eventos do fim do mundo.
- 2) Histórico: O livro prevê a história da apostasia da igreja católica.
- 3) Idealista: O livro é uma explicação das forças que conduzem a história.
- 4) Preterista: O livro todo se cumpriu nos dias do autor.
- 5) Formação histórica: O livro se cumpriu em maior parte nos dias do autor, mas algumas profecias ainda vão se realizar.
1) Pré-milenismo: Jesus volta, há um período de paz, ocorre a rebelião final, vem o juízo final. Pré-milenismo dispensacionalista: a igreja é arrebatada, Israel é salvo sob uma dispensação diferente. Pré-milenismo não-dispensacionalista: é a igreja que se destaca após a volta de Cristo. Existem ainda o pré-milenismo tribulacionanista e o não-tribulacionista, sendo que o tribulacionista se divide em pré-tribulacionista, mid-tribulacionista e pós-tribulacionista. Os pré-milenistas são futuristas. Scofield, Win Malgo, “Deixados Para Trás”.
2) Pós-milenismo: O milênio chega construído pelos cristãos, a igreja se destaca, Jesus volta, vem o juízo final. Muitos americanos. Popular no Séc. XIX.
3) Amilenismo: Não há “milênio”; ele é apenas uma referência da vitória de Cristo sobre Satanás. Não há dispensação especial para os judeus. Jesus volta, vem o juízo final. Muitos eruditos.
Há duas posições antagônicas com respeito à literatura apocalíptica:
1) os livros não são lidos por serem confusos e não apresentarem mensagem prática relevante;
2) os livros recebem o mais alto lugar na Bíblia, pois esclarecem segredos do tempo do fim.
As duas posições são erradas, porque consideram o Apocalipse espiritualmente (devocionalmente) sem valor. “A recusa em estudá-los jamais poderá descobrir os profundos princípios espirituais em que estão baseados; por outro lado, a obsessão de querer relacioná-los com os eventos atuais converte os livros em intrincado enigma para ingênuos, em lugar de apresentar a mensagem espiritual que contém para almas necessitadas” (Rowley).
Na literatura apocalíptica encontramos princípios espirituais dignos e verdadeiros para todas as gerações. Ela nos mostra que Deus está dirigindo a história, mas que isso não elimina a liberdade humana. O fim do mundo será precedido por um tempo inédito de sofrimento e maldade. O espírito do Anticristo sempre está presente. A fé nasce da experiência com Deus. O Reino de Deus é uma realidade, e sua consumação, uma promessa. Deus pode redimir o mundo e o homem. Deus não abandona o homem em tempos de sofrimento. O julgamento final é uma realidade. Em toda a literatura apocalíptica, há um sentido de urgência, de estar alerta.
FONTES: ROWLEY, H. H. A importância da literatura apocalíptica. Paulinas.
SUMMERS, Ray. Digno é o Cordeiro. JUERP.
LADD, G. Eldon. Apocalipse: introdução e comentário. V. Nova.
ELWELL, W. Enciclopédia hist. teol. da igreja cristã. V. Nova.
(*) Pr Marcelo Rodrigues de Aguiar é pastor títular da Igreja Batista em Mata da Praia, professor do SETEBES – Seminário Teológico Batista do Estados do Espírito Santo, bacharel em Teologia e Psicologia, Psicólogo clínico e escritor.
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