PRÁTICAS DEVOCIONAIS
Autor: Pr. Marcelo Rodrigues de Aguiar (*)
INTRODUÇÃOAs práticas devocionais são o exercício da alma. Algo conhecido antigamente (Mt 6.5,16). Hoje, esquecido.
Conseqüência: superficialidade.
Inimigos: racionalidade, misticismo, ativismo.
Buscamos a santificação. Mas não podemos alcançá-la por nossos esforços (Cl 2.16-23). Se as disciplinas espirituais buscarem isso, fracassarão. A santidade, como a salvação, é um dom de Deus.
Dois abismos: legalismo e mundanismo. No meio, o “caminho da graça disciplinada”. Esse caminho não produz a mudança; ele apenas nos coloca no lugar onde a mudança pode acontecer.
O erro dos fariseus: transformar as práticas devocionais em leis (Mt 5.20; Lc 18.9-14). Elas são o meio, não o fim. Simples, não complicadas. Para o cristão normal.
- MEDITAÇÃO
A meditação oriental é uma tentativa de esvaziar a mente. A meditação cristã é uma tentativa de prepará-la para ser cheia.
Meditar é esperar em Deus. Aquietar-se. Refletir. Acalmar-se para escutar sua voz.
1) Reserve um horário (Sl 5.3).
2) Escolha um lugar (Hb 2.1).
3) Acalme o espírito (Sl 46.10).
4) Use a Bíblia (Sl 119.97).
5) Use a natureza (Sl 8.3-5).
6) Use os acontecimentos (Lc 2.19).
Através da meditação podemos conhecer Deus melhor e aprofundar nossa fé.
- ORAÇÃO
Raramente Jesus e os apóstolos pediam que se fizesse a vontade de Deus, porque já a conheciam (comunhão). Importância da meditação (1Jo 5.14).
Um dos principais ensinos bíblicos é que a oração está associada à fé (Tg 1.6,7). Grande ou pequena, Deus pode usá-la.
Uma das razões pelas quais acreditamos que nossas orações serão respondidas é porque elas são feitas em nome de Jesus (Jo 16.23,24).
Assim como a meditação, a oração pode ter um local e um horário específicos (Mc 1.35). Mas qualquer hora e lugar são propícios à oração (1Ts 5.17).
Uma vida de oração poderá livrar-nos do mundanismo e da ansiedade (Fp 4.6,7). Como as outras disciplinas espirituais, ela não nos transforma, mas coloca-nos em contato com Aquele que pode transformar-nos.
- JEJUM
Definição: “O jejum bíblico é a abstenção de alimentos para finalidades espirituais” (Foster). Pode ser total (Lc 4.2), parcial (Dn 10.3) ou absoluto (At 9.9). Pode ainda ser individual (Mt 6.17,18) ou comunitário (2Cr 20.3).
Alguns jejuam para obter poder ou sensibilizar a Deus (At 23.12; 2Sm 12.15-23). Razões erradas.
O primeiro objetivo do jejum deve ser a glória de Deus (Zc 7.5). Ele também revela as coisas que nos controlam, ajuda-nos a manter nosso equilíbrio, mantêm-nos concentrados naquilo pelo que estamos orando; foca nossa atenção em Deus e prepara-nos para os embates espirituais.
Como acontece em todas as disciplinas, devemos observar, no jejum, certa progressão.
- ESTUDO BÍBLICO
Embora a meditação e o estudo se sobreponham, eles não são iguais. A meditação na Bíblia inspira; o estudo da Bíblia instrui (2Tm 3.16,17).
A disciplina do estudo envolve quatro passos: repetição, concentração, compreensão e reflexão.
“Quando vamos à Escritura, vamos para ser transformados, não para obter informações” (Foster).
“Este livro me fará evitar o pecado, ou o pecado me fará evitar este livro” (Moody).
Estudar envolve dedicação e esforço. Além da Bíblia, estudar outros livros inspirativos. Sempre pedindo a direção do Espírito Santo.
Há pontos difíceis (2Pe 3.15,16). Comece pelos fáceis. Use versões diferentes. Consulte bons comentários. E pratique!
- ADORAÇÃO
Deus procura adoradores (Jo 4.23). Só ele deve ser adorado (Mt 4.10).
Podemos adorar a Deus individualmente, mas há um lugar todo especial para a adoração em grupo (Sl 133.1,3). Culto em casa (Dt 6.4-9) e na igreja (Hb 10.25).
“Em casa, na minha própria casa, não há calor ou vigor em mim; mas na igreja, quando a multidão se congrega, em meu coração se acende um fogo que se espalha” (Lutero).
A música é parte importante da adoração. Desde o Velho Testamento havia uma hierarquia (1Cr 25.6).
A pregação da Palavra também é parte importante da adoração. Edificação e transformação (At 20.7).
- CONTRIBUIÇÃO
A primeira expressão de culto encontrada na Bíblia é a entrega material (Gn 4.3-5). No Velho Testamento, os sacrifícios eram usados na confissão, na gratidão e na adoração. Com a vinda de Jesus os sacrifícios cessaram, mas continuamos podendo adorar o Senhor com nossos bens.
O dízimo é anterior à Lei e posterior a ela (Gn 14.18-20; Mt 23.23). Entregá-lo é ato de culto, e deve ser feito no culto (Ml 3.7-10). Honramos a Deus com os nossos bens (Pv 3.9,10).
Ofertas também eram entregues nos tempos bíblicos. Para construção (Ex 36.4-7), para beneficência (At 11.27-30), etc.
Contribuir é uma prática devocional que, como todas as demais, se aperfeiçoa. Ajuda-nos a estabelecer prioridades corretas, não nos deixando escravizar pelos bens materiais (Mt 6.24). Aprofunda nosso vínculo com a igreja e sua missão (Mt 6.21). Gera saúde espiritual na medida em que não apenas recebemos, mas também damos (Mar Morto X Mar da Galiléia) (At 20.35)..
- SERVIÇO
Razões erradas para servir: ativismo – compensação – reconhecimento. Isso não nos aproxima de Deus nem dos outros. Razões corretas: gratidão a Deus – amor ao próximo – crescimento pessoal.
O serviço evidencia e desenvolve a humildade (1Sm 25.40,41).
O serviço nos ajuda a colocar as coisas em suas reais perspectivas (Mt 25.41-45).
O serviço nos dá uma visão correta de nós mesmos (Lc 17.10).
O serviço nos acompanhará pela eternidade (Ap 22.3).
“Quem não vive para servir não serve para viver”. Nas grandes e nas pequenas coisas, o cristão deve lembrar que é um servo de Deus e do próximo. Pode não parecer, mas esta é uma das práticas devocionais mais eficientes.
(*) Pr Marcelo Rodrigues de Aguiar é pastor títular da Igreja Batista em Mata da Praia, professor do SETEBES – Seminário Teológico Batista do Estados do Espírito Santo, bacharel em Teologia e Psicologia, Psicólogo clínico e escritor.
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