segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

“Alguém vai dizer: ‘Eu posso fazer tudo o que quero.’ Pode sim, mas nem tudo é bom para você. Eu poderia dizer: ‘Posso fazer qualquer coisa’. Mas não vou deixar que nada me escravize.” (I Cor. 6.12)

A esta altura da sua vida, Davi, o vencedor de gigantes, já dava demonstrações de que havia se tornado escravo da sua paixão desenfreada por mulheres (II Samuel 5.13-15). Se as “concubinas” aqui mencionadas forem as mesmas de II Samuel 15.16, sabemos, então, que Davi a esta altura da sua vida já havia tomado para si 19 mulheres – isso mesmo, d-e-z-e-n-o-v-e mulheres, a saber: Mical, Ainoã, Abigail, Maacá, Hagite, Abital, Eglá + 10 concubinas + outras esposas (duas, pelo menos). Dezenove mulheres aos 30 anos de idade!

É verdade que em nenhum lugar da Bíblia encontramos Deus repreendendo Davi por tomar para si tantas mulheres. Por outro lado, em nenhum lugar também O vemos colocando o Seu selo de aprovação nesta atitude do seu servo. Precisamos aprender a interpretar este tipo de silêncio de Deus na Bíblia. Davi estava fazendo uso de uma prática muito comum aos reis da sua época: a exibição de um grande número de mulheres simbolizava poder, prosperidade e autoridade. Deus sabia o que se passava no coração do seu servo, e assistia a tudo atentamente. Ele queria saber quais seriam as escolhas que o seu filho faria.

Chama-nos a atenção o fato de Davi ter tomado dez mulheres como concubinas, além das nove esposas. O relato bíblico faz uma distinção entre “esposas” e “concubinas”. Isso pode significar que Davi fez os votos conjugais com algumas destas mulheres, as esposas; mas com as concubinas, não havia votos (seria esta uma das razões por que ele deixou as concubinas para trás quando foi forçado a fugir de Absalão, seu filho? II Samuel 15.16). Estas mulheres foram somadas ao harém real simplesmente como uma forma de satisfazer o insaciável ‘amor’ que o rei tinha por mulheres, e, mais uma vez, como uma forma de exibição pública de poder, prosperidade e autoridade. Ao que parece, Davi estava mais preocupado em construir uma reputação do que aprimorar o seu caráter, mais preocupado em agradar aos homens do que a Deus.

É interessante como nós também, às vezes, começamos fazendo aquilo que nos é lícito, mas logo, logo progredimos para aquilo que nos escraviza, quando as nossas intenções não são retas diante de Deus. A pergunta com a qual Davi não quis lidar era se a sua prática, não obstante lícita, agradava o coração de Deus. Mas Davi simplesmente não conversava com Deus sobre este ‘quarto escuro’ da sua alma. Ele até consultava a Deus sobre as guerras que tinha que travar nos campos, mas insistentemente se calava quanto à batalha que travava no seu interior. Este é um quadro típico na vida de quem já tropeçou e caiu.

A razão pela qual Davi nunca conseguiu derrotar o gigante que, aos poucos, tomava forma dentro do seu coração, é que ele nunca o enfrentou com a mesma coragem, determinação e dependência de Deus com que enfrentou os outros gigantes. Pelo contrário, a cada página da sua história vêmo-lo nutrir – alimentar, acariciar, afagar – aquele que viria a se constituir, mais tarde, no gigante que nem mesmo ele, vencedor de gigantes, seria capaz de derrotar.

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

As decisões que tomamos na vida ao longo dos anos assumirão o controle da nossa existência, com o passar do tempo, e poderão, até mesmo, ditar os nossos sucessos e fracassos. Alguém já disse que, primeiramente, nós decidimos fazer certas escolhas; depois, as escolhas que fizemos decidem por nós.

II Samuel 11:1-4: Davi comete adultério com Bate-Seba.
II Samuel 11:27: o Senhor não gostou do que Davi fez.

A esta altura, todos nós já sabemos que o problema de Davi com o sexo oposto não começou aqui. O pecado dele com Bate-Seba começou muitos anos atrás, quando ele, ainda jovem, decidiu tomar para si mulheres e mais mulheres como esposas, numa tentativa de satisfazer a sua paixão insaciável. Infelizmente, Davi sempre cedeu à tentação de achar que aquela era uma questão de números; se pudesse tomar uma ou duas mulheres a mais, pensava consigo, talvez pudesse finalmente pôr fim àquele fogo que ardia dentro do seu coração. Assim, várias outras mulheres vieram, mas a tal paixão nunca se foi. Talvez então, pensou, se obtivesse algumas mulheres apenas para satisfazer o seu apetite sexual (as concubinas), poderia assim, quem sabe, livrar-se de uma vez por todas daqueles desejos que se agigantavam dentro de si. E, para não correr o risco de algo dar errado, o jovem bem-sucedido rei de Israel somou ao seu harém não apenas uma ou duas concubinas, mas dez - isso mesmo, d-e-z!!! – de uma só vez, elevando, assim, o total do seu harém para dezenove mulheres. Desta vez, pensou, é certo que vou conseguir estancar o fluxo deste maldito desejo!

Mas Davi estava errado. No fundo, ele estava praticando o auto-engano; Davi passou a mentir para si mesmo (“A soberba do teu coração te enganou...” Obadias 3). Tiago 1.14 diz que “as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos.” (grifo meu) Ao invés de falar com Deus a respeito daquele desejo que o atormentava, Davi se calou e decidiu tomar as suas próprias decisões. Ele calculou, erroneamente, diga-se de passagem, que poderia vencê-lo sozinho, com a própria força, sabedoria e armas. Afinal de contas, ele havia se tornado um grande e famoso matador de gigantes. Lamentavelmente, Davi persistiu em não conversar com Deus sobre aquele quarto escuro e sombrio da sua alma. Talvez, cogitou consigo mesmo, se desta última - e única – vez, ele se deitasse com um outro tipo de mulher... aquela que fosse a esposa de um outro homem... talvez assim aquele maldito desejo se desfaria tão rapidamente quanto a neblina diante do sol. Uma única vez, e tudo estará resolvido; uma única vez, e ninguém sequer ficará sabendo; uma única vez, e nunca mais serei o meu próprio algoz!

Engano... decepção... mentira.
II Samuel 11.4 revela um poço de engano, decepção e mentira que Davi vinha, há muito tempo, cavando para si mesmo. Ele próprio era o culpado da sua queda. Não havia outro a quem culpar.

II Samuel 11.4 traz à tona aquilo que Davi, há muito tempo, vinha nutrindo em seu coração (e na sua cama). Depois de tantas escolhas erradas, ele já não era mais o mestre da sua vontade. Aquela paixão que ele tão generosamente alimentou ao longo dos anos cresceu a ponto de tornar-se um enorme gigante que nem mesmo ele, um vencedor de gigantes, seria capaz de controlar e derrotar. E, então, o esperado aconteceu: Davi caiu. E caiu feio. Desta vez, não é o gigante que tomba e cai, mas aquele que fez história derrubando gigantes.

Um grande sábio disse, certa vez, que os nossos fracassos não acontecem de uma hora para outra, mas são construídos ao longo de um tempo. O de Davi começou a tomar forma no dia em que ele desprezou a ajuda de Deus e decidiu que iria combater e derrotar o seu gigante interior com a força, sabedoria e armas próprias.

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

Tal o pai, tal o filho, o neto, o bisneto...

O Pai: Com Bate-Seba, sabemos que Davi possui agora um harém com 20 mulheres. A esta altura, já sabemos que este elevado número de mulheres não é uma resposta de Davi à vontade de Deus para a sua vida; ao contrário, ele representa uma tentativa desesperada e descomedida de satisfazer um desejo incontrolável e insaciável que queima no interior de sua alma. Davi tornara-se escravo de tal desejo.

O filho: “Salomão casou-se com setecentas princesas e também teve trezentas concubinas. Elas fizeram com que ele se afastasse de Deus...” (I Reis 11.3,4a).

O neto: “Roboão casou-se com Maalate; o pai dela era Jerimote, filho de Davi, e a mãe era Abiail, filha de Eliabe e neta de Jessé (...) Depois Roboão casou-se com Maacá, filha de Absalão (...) Roboão teve ao todo dezoito mulheres e sessenta concubinas que lhe deram vinte e oito filhos e sessenta filhas (...) Roboão também teve a boa idéia de espalhar os seus outros filhos pelas cidade-fortalezas de Judá e de Benjamin. Deu-lhes grandes quantidade de alimentos e também arranjou muitas mulheres para eles.” (II Crônicas 11.18-23. Grifo nosso).

O bisneto: “Abias foi ficando cada vez mais poderoso. Ele casou com quatorze mulheres e foi pai de vinte e dois filhos e dezesseis filhas.” (II Crônicas 13.21).

Parece que aquela mesma paixão insaciável por mulheres, alimentada no coração de Davi, transferiu-se de uma geração para outra. Ouvi um pregador dizer certa vez que os espíritos malignos são “transferíveis”. Não sei afirmar com certeza se esta afirmação possui base bíblica, mas ela, sem dúvida, faz muito sentido, pois sabemos que os pais possuem uma ligação espiritual inseparáveis com seus filhos. Há, sim, uma herança espiritual que é transferida de pais para filhos.

Não se quer dizer, com isso, que os descendentes de Davi tenham se tornado vítimas indefesas das más escolhas deste; o que se quer ensinar é que eles também fizeram as suas próprias escolhas e que, no tocante ao relacionamento com mulheres, eles, infelizmente, decidiram seguir o mau exemplo deixado pelo grande ancestral da família. Será que Deus também nos responsabilizará pela influência exercida sobre as gerações que nos sucederão?

É verdade que Davi deu origem a uma geração de matadores de gigantes. Com a sua humildade, coragem e confiança em Deus, ele inspirou outros soldados a combater e derrotar diversos gigantes (II Samuel 21.15-22). Não devemos, no entanto, ignorar o fato de que Davi, por outro lado, deu também origem a uma geração de reis que foram controlados por um desejo insaciável por mulheres. E tudo começou quando ele decidiu que haveria de enfrentar aquele desejo com as próprias forças, sabedorias e armas. Davi, infelizmente, não conversava com Deus sobre este quarto escuro da sua alma... e, com isso, perdeu a oportunidade de abençoar os seus filhos, netos e bisnetos.

Davi se mostrou capaz de derrotar o gigante de Satanás que ameaçava o povo de Deus nos campos de batalha; infelizmente, mostrou-se fraco diante do gigante que batalhava nos campos do seu próprio coração.

O nosso amor, admiração e respeito por Davi permanecem; e fica registrado o alerta para todos nós. Que nos valha a graça e a misericórdia de Deus!

“DEUS NÃO ABENÇOOU JACÓ”

Gênesis 32.26-29

“Então o homem disse:
- Solte-me, pois já está amanhecendo.
- Não solto enquanto o senhor não me abençoar – respondeu Jacó.
Aí o homem perguntou:
- Como você se chama?
- Jacó – respondeu ele.
Então o homem disse:
- O SEU NOME NÃO SERÁ MAIS JACÓ. Você lutou com Deus e com os homens e venceu;
POR ISSO O SEU NOME SERÁ ISRAEL.
- Agora diga-me o seu nome – pediu Jacó.
- O homem respondeu:
- Por que você quer saber o meu nome?
E ali ele abençoou Jacó.”
(Grifo meu)

Na verdade, Deus não abençoou Jacó. Você percebeu? Antes de abençoá-lo, Deus mudou o nome dele para Israel; portanto, Deus abençoou Israel ('pai de multidões', ‘príncipe de Deus’) e não Jacó (‘enganador’, ‘manipulador’, ‘suplantador: aquele que sempre leva vantagem em tudo’).
Os “jacós” serão abençoados, é verdade. A Bíblia diz que Deus faz o sol nascer sobre justos e injustos (Mateus 5.45). Ela também diz que é Deus quem dá a todos a respiração, a vida e tudo mais (Atos 17.25).
Mas as bênçãos especiais que Deus quer dar aos seus filhos não podem ser recebidas pelos “jacós” (você percebeu a ênfase em recebidas?); somente filhos com a natureza de um 'israel' podem recebê-las.
Jacó foi uma pessoa que sempre desejou ardentemente as bênçãos de Deus. Logo cedo, vêmo-lo buscando tais bênçãos. Mas havia três problemas básicos com Jacó no que concerne a ser abençoado: primeiro, as bênçãos pelas quais ele tão determinadamente ansiava e lutava não eram as bênçãos as mesmas bênçãos que Deus queria lhe dar; segundo, ele queria obter bênçãos a qualquer custo, mesmo que isso significasse obtê-las por meio do pecado; terceiro, ele queria receber as bênçãos de Deus sem que isso jamais significasse qualquer mudança na sua personalidade, planos e destino.
Amados, isso nos leva a apresentar-lhes três proposições:

1º. AS BÊNÇÃOS PELAS QUAIS TÃO DETERMINADAMENTE ANSIAMOS E LUTAMOS PODEM NÃO SER AS MESMAS BÊNÇÃOS QUE O PAI TEM PLANEJADO PARA NÓS.

Quantas vezes sofremos por, conscientemente, rejeitarmos esta verdade! Quantas vezes nós próprios determinamos - sem a aprovação do Pai, é claro -, aquelas bênçãos que farão de nós pessoas felizes e bem-sucedidas! E, então, como Jacó, mostramo-nos incansavelmente dedicados e determinados por um bom tempo. Sucesso a toda prova! O problema é que todos os “jacós”, sem exceção, sempre serão levados (ou eu deveria dizer “acuados”?) por Deus um dia ao mesmo lugar: o ribeiro de Jaboque, lugar onde todo “jacó” deve morrer. E, então, ali, diante do vazio das nossas grandes realizações e riquezas acumuladas ao longo dos anos, seremos dominados por um sentimento de frustração, confusão e desespero, e, quem sabe, em certos momentos, até pensaremos que morrer é melhor do que viver. E tudo isso porque um dia viramos as costas para as bênçãos que o Pai quis oferecer, e determinamos aquilo que seria bom para nós.
A história de Jacó tem se repetido na vida de milhares de filhos de Deus hoje, infelizmente. Cristãos, por exemplo, que estão determinando o sucesso material, profissional e pessoal como o alvo maior de suas vidas, em detrimento do seu relacionamento com Deus. Lá na frente - no ribeiro de Jaboque - o quadro a ser assistido é o de pessoas extremamente bem-sucedidas de acordo com o padrão deste mundo, mas, ao mesmo tempo, extremamente pobres no que tange ao conhecimento e à intimidade com Deus. Lá na frente, todo dinheiro, toda fama, todo conhecimento e realizações não serão suficientes para compensar os prejuízos e perdas causados ao longo do caminho. E, então, o “jacó” terá que morrer...
Amado, eu preciso perguntar: as bênçãos que você está usufruindo neste momento da sua história são as mesmas bênçãos com as quais o Pai sempre sonhou para você? Você está certo disso? Ou está tentando provar para Deus que pode ser feliz à parte daquilo que Ele lhe tem oferecido? Ignorar as bênçãos do Pai para a sua vida, amado, significa plantar as sementes da frustração, do vazio e do desespero.

2º. ‘JACÓS’ SÃO AQUELES FILHOS DE DEUS QUE QUEREM OBTER BENÇÃOS
A QUALQUER CUSTO, MESMO QUE ISSO SIGNIFIQUE OBTÊ-LAS POR MEIO DO ENGANO, TRAPAÇA E MANIPULAÇÃO, ISTO É, POR MEIO DO PECADO.

É interessante observar como a história de Jacó foi marcada pelo engano, trapaça e manipulação. Lamentavelmente, Jacó contaminou a sua família com estas práticas perniciosas. Ele foi o portal através do qual elas passaram a fazer parte da história dos seus filhos.

Em Gênesis 27.1-29, ele e a mãe, Rebeca, enganam o pai, Isaque.
Em Gênesis 29.15-30, ele é enganado pelo tio-sogro, Labão.
Em Gênesis 31.22-35, sua esposa Raquel engana o próprio pai, Labão.
Em Gênesis 34.13-31, os seus filhos enganam os habitantes de Hamor.
Em Gênesis 35.22, o seu filho Rúben o engana e tem relações com uma de suas mulheres, Bila.
Em Gênesis 37.12-36, ele é enganado pelos próprios filhos que vendem o irmão José como escravo.
Em Gênesis 38.1-26, o seu filho Judá engana a nora, Tamar, e, em retorno, é enganado por ela.

É muito provável que Jacó tivesse desistido do seu intuito de construir uma vida abençoada tendo como fundamento o engano, a trapaça e a manipulação, caso pudesse antever todos estes acontecimentos. Quanto sofrimento ele teria poupado para si mesmo e para a sua descendência!
Mas o fato é que Jacó estava determinado a construir uma vida de sucesso a qualquer custo! Os meios não lhe importavam contanto que ele chegasse lá na frente próspero, rico e saudável. Deus ainda tentou, por várias vezes, dissuadi-lo deste projeto de vida, e mudar o seu modo de pensar (Gênesis 28.6-22), mas Jacó não era daqueles que se deixam convencer facilmente... nem mesmo pelo próprio Deus! Ele havia feito uma promessa de obediência e fidelidade a Deus, é verdade; mas isso era algo com o qual ele só se preocuparia mais tarde na vida (20 anos depois). No momento, ele continuaria enganando, trapaceando e manipulando até chegar ao topo da prosperidade e do sucesso (pelo menos, da maneira como ele concebia estas coisas). O “acerto de contas com Deus”, digamos assim, ficaria para um futuro bem, bem, bem distante (isso é o que ele pensava).
Quantos filhos de Deus há que revelam em suas escolhas, pensamentos e atitudes a mesma filosofia de vida de Jacó! Quantos filhos de Deus há que, à semelhança de Jacó, também estão aproveitando as bênçãos que Deus lhes deu para enganar, trapacear e manipular, no intuito de galgar posições mais altas e vantajosas neste mundo, ao invés de, humilde e agradecidamente, servir a Deus com sinceridade e integridade. Quantas vezes não ouvimos de filhos de Deus que, tendo recebido do Pai uma posição estrategicamente próspera, permitiram-se contaminar pelos valores e práticas dos grupos de pessoas aos quais deveriam abençoar com uma vida de temor e intimidade com Deus!
Primeiramente, Jacó errou em definir corretamente o alvo da sua vida: as bênçãos que queria receber não eram as mesmas que o Pai lhe queria dar; depois, ele errou os meios através dos quais ele iria atingir este alvo: a sua determinação era a de usar as armas da carne, a saber, o engano, a trapaça e a manipulação. Por fim, ele também falhou em determinar o custo da sua empreitada:

3°. RECEBER AS BÊNÇÃOS DE DEUS SEM QUE ISTO NOS CUSTE MUDANÇAS NA PERSONALIDADE, PLANOS E DESTINO É, SIMPLESMENTE, UMA FALÁCIA.

Um outro aspecto da grande luta de Jacó com o anjo do Senhor, creio, foi que Jacó queria ser abençoado e continuar sendo Jacó. O que Jacó parecia não compreender é que quando Deus nos faz depositários das suas bênçãos, mudanças vão acontecer, necessariamente. Como pode alguém ser tocado por Deus de maneira tão especial e continuar sendo a mesma pessoa? (Não é de se lastimar que o toque das mãos do Senhor nos tenha curado da lepra da carne, mas não tenha nos livrado da lepra de um espírito orgulhoso e mal agradecido?) Como continuar praticando os mesmos atos de engano, trapaça e manipulação após um encontro real com o próprio Deus? Jacó parece não ter compreendido que os maiores benefícios das bênçãos de Deus na sua vida não se concretizariam em riquezas materiais e externas, mas em riquezas espirituais e internas – e eternas, ou seja, os maiores benefícios das bênçãos de Deus na sua vida se concretizariam justamente no fato de que ele não mais seria Jacó, mas Israel.

Jaboque não é apenas o lugar onde todo ‘jacó’ deve morrer como também o lugar onde todo ‘jacó’ resiste a qualquer mudança e luta para não morrer. Tentar ludibriar o próprio Deus, arrancar Suas bênçãos a força e escapar sem qualquer mudança não será descartado.


Concluo dizendo que Deus abençoa os ‘jacós’, sim, como Ele abençoa qualquer uma de suas criaturas. Ele é um Deus amoroso e misericordioso. Mas o seu grande deleite está em abençoar aqueles que têm o espírito de um ‘israel’. Ele não ‘desperdiça’, por assim dizer, as suas bênçãos especiais com os ‘jacós’; elas lhe seriam como ‘pérolas lançadas aos porcos’. (Mateus 7.6)
Que a nossa atitude seja a de arrependimento e confissão sinceros, e que a nossa oração seja algo como: “Pai, conduza-me de volta ao ribeiro de Jaboque, lugar de morte diária do meu ‘jacó’ e de nascimento, fortalecimento, crescimento do meu ‘israel’”.

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

Às vezes me pergunto se o desajuste que Davi tinha no seu relacionamento com as mulheres (aquela paixão insaciável) não provinha de um desajuste familiar. Tal desajuste acabou se tornando um desajuste emocional para Davi quando ainda criança, o que, mais tarde, desencadeou, acredito, um desajuste espiritual. A nossa sugestão é a de que Davi cresceu num ambiente familiar negativo e hostil à sua masculinidade. Como disse, esta é apenas uma ‘sugestão’(Desculpem-nos o devaneio).Todavia, temos três ocorrências bíblicas que parecem (eu disse, ‘parecem’) apontar nesta direção.

          A primeira delas é a que registra a unção de Davi como o futuro rei de Israel (I Samuel 16). Todos sabemos que Jessé, o pai de Davi, considerava-o, àquela época, apenas um garoto, uma criança. Teria Davi sido tratado como “apenas uma criança” também durante um bom tempo da sua adolescência? Teriam seus irmãos mais velhos utilizado esta expressão “apenas uma criança” com uma conotação derrogatória da sua masculinidade? (diga-se de passagem, muitos irmãos adultos cometem este tipo de crueldade com seus irmãozinhos, o que é de se lamentar profundamente).

          A segunda ocorrência bíblica encontra-se em I Samuel 17.28. As palavras de Eliabe, o irmão mais velho de Davi, podem ser puramente circunstanciais, mas podem também sugerir que Davi não era muito bem-quisto pelos irmãos, talvez por ser o caçula e “o filho mais querido da mamãe”.

          A terceira ocorrência é, na verdade, uma percepção da grande ausência dos irmãos de Davi nos negócios do seu reino. Esta ausência pode ser meramente casual, mas pode também significar um tipo de represália de Davi para com os irmãos.

          Nada do que foi dito até este momento pode ser claramente corroborado pelas Escrituras. Configura-se, no entanto, como um quadro plausível e muito comum dentro das famílias. Se este foi o caso na família de Jessé, como temos sugerido, sabemos, então, que Davi cresceu num ambiente negativo e hostil à sua masculinidade. Isso pode ter incutido no menino um sentimento horrível de inadequação e aceitação. Ao chegar à idade adulta, Davi tentou provar para si mesmo e para os sete irmãos mais velhos que ele era um homem de verdade. Infelizmente, fê-lo de maneira equivocada, acumulando para si uma quantidade desnecessária de esposas e concubinas. Aos trinta anos de idade Davi já havia tomado para si cerca de 19 mulheres (II Samuel 2.3-5; 5.13-15).

          Fico a pensar em quantos meninos em nossas famílias não estão hoje sendo emocionalmente massacrados pelas ‘brincadeiras’ e críticas cruéis de pais e familiares. Garotinhos que crescem se sentindo totalmente desajustados por não sentirem aceitos e amados por aqueles que deveriam ser os primeiros a lhes oferecer carinho, amor e proteção. Que Deus tenha misericórdia das nossas crianças!

          Fico também a pensar em quantos homens da nossa sociedade não têm hoje uma vida sexual desajustada por sofrerem maltratados na infância. Homens que tiveram a sua masculinidade criticada e ridicularizada, de alguma forma, durante a infância, e que, agora, na idade adulta, multiplicam as suas parceiras sexuais numa tentativa desesperada de provar para si mesmos e para os fantasmas do seu passado que não são aquilo que os outros sempre suspeitaram que fossem. Satanás valeu-se dos seus desajustes emocionais para conduzi-los a uma vida de desajuste espiritual. Que Deus tenha misericórdia de tais homens!

          A via que dá acesso à cura e perdão continua sendo a mesma: arrependimento, confissão e fé no amor incondicional dAquele que entregou a sua vida na cruz do Calvário por todos nós: JESUS.

"TEIMANDO EM PRESERVAR AQUILO QUE O SENHOR JÁ REJEITOU”

I Samuel 15.1-34


“ Vá, ataque os amalequitas e destrua completamente tudo o que eles têm. Não tenha só nem piedade. Mate todos os homens e mulheres, crianças e bebês, gado e ovelhas, camelos e jumentos.”
“E Saul derrotou os amalequitas, desde Havilá até Sur, a leste do Egito. Prendeu Agague, o rei dos amalequitas, porém matou todo o povo. Saul e os seus soldados não mataram as melhores ovelhas, os melhores touros, bezerros e carneiros e tudo o mais que era bom. Mas destruíram tudo o que era imprestável e sem valor.” (vs. 3; 7-9, grifo meu).


          Primeiramente, gostaria de justificar a mudança do título desta série de meditações. Passamos a utilizar a palavra “teimando” ao invés de “insistindo” por acreditar que ela descreve melhor a atitude de Saul diante da ordem dada por Deus. Penso que todos nós conhecemos muito bem, por experiência, o que é teimosia, não é verdade?

          Quantas vezes eu e você, à semelhança do teimoso Saul também nos rebelamos contra a palavra de Deus ao preferirmos seguir as nossas próprias convicções e atender aos nossos próprios desejos?

          Como vimos, Saul não estava pronto e desejoso de cumprir as claras instruções do Senhor Deus na sua vida porque, antes de tudo, ele fez de si mesmo o centro da sua existência. (I Samuel 15.12). Consequentemente, ele passou a valer-se do seu relacionamento com Deus e das bênçãos e posição que Deus lhe havia conferido como uma forma de enaltecer e honrar a sua própria pessoa. O equivoco de Saul foi achar que Deus o tivesse escolhido e ungido para que ele fosse servido e honrado ao invés de servir e honrar. Como sabemos, este equívoco o levou ao cúmulo de erguer um monumento em honra de si mesmo.

          Saul também não se mostrou  pronto e desejoso de cumprir a vontade de Deus porque ele não se preocupou com estabelecer um relacionamento pessoal com o Senhor. (I Samuel 15.30). Desde o início do relato da sua história, no capítulo 9 de I Samuel, percebemos a ausência deste desejo de relacionar-se pessoal e intimamente com o Senhor. Ao conversar com Samuel, Saul repetidas vezes referiu-se a Deus como “o seu Deus” ao invés de “o meu Deus” (veja também o verso 21). Estas ocorrências, que não são casuais, revelam a pouca importância que Saul atribuiu ao seu relacionamento com Deus. E não obstante o Espírito do Senhor tenha vindo sobre ele por duas vezes e o tenha usado de forma poderosa para livrar o povo de Israel (I Samuel 10.10 e 11.6), o seu modo de viver aponta para o fato de que ele nunca chegou a conhecer a Deus de fato.

          Um ensinamento a ser aprendido a partir destas observações é que o nosso relacionamento com Deus precisa ir muito além de um relacionamento meramente institucional e religioso. Saul conheceu a Deus como o Deus de Israel e como o Deus de Samuel, mas nunca chegou a conhecê-Lo como o seu próprio Deus e Senhor. Isso resultou numa vida de grande tormento, insegurança e falta de sabedoria; e por fim, numa morte prematura e trágica.

          Um outro ensinamento é o fato de alguém ser poderosamente usado por Deus para o cumprimento um propósito não se constituir numa garantia ou evidência de um relacionamento íntimo e pessoal com o Senhor. É lamentável que Saul tenha sido grandemente usado pelo Espírito de Deus em duas ocasiões muito significativas e especiais, mas que ele não tenha rendido a totalidade da sua existência ao controle deste mesmo Espírito. O mesmo fato lamentável pode se repetir na vida de qualquer cristão que decidir andar segundo a carne e não segundo o Espírito, como nos ensina, por exemplo, o texto de Gálatas 5.16-26. Infelizmente, certos cristãos que, no passado, foram usados por Deus de forma grandiosa e singular, hoje se encontram mergulhados num profundo ostracismo espiritual. E por quê? A resposta pode estar justamente no fato de que, com o passar dos anos, estas pessoas se descuidaram do cultivo de uma vida de contínua busca pela presença e unção de Deus em suas vidas.

"Um Lindo Palácio Não Faz Um Grande Rei!"

 “Um Lindo Palácio Não Faz Um Grande Rei!”

                            
 


                                
 


             Ou faz?
            Aos olhos do mundo sem Deus, sim. O mundo tem criado os seus grandes reis: “o rei do rock”, “o rei do futebol”, “o rei da música pop”, “o rei das mulheres”, “o rei do gado”, “o rei das telecomunicações” e assim por diante. Homens a quem o mundo deu a forma de um deus, e aos quais Satanás não recusou fornecer o seu espírito.  Diante de tais reis o mundo se curva, e adora. 

        Aos olhos de Deus, a coisa é bem diferente. Veja o que disse o Senhor a Jeoaquim, filho de Josias: “Você acha que ser um rei significa [meramente] disputar [com Salomão] e esforçar-se para obter excelência em [palácios de] cedro? O seu pai [Josias] não praticou a justiça e retidão enquanto comia e bebia [sendo íntegro e reto perante Deus]? E assim tudo foi bem com ele. (Jeremias 22.15 – Amplified Bible. Tradução minha). Numa outra versão (New Living Translation), a palavra do Senhor é ainda mais direta: “Mas um lindo palácio não faz um grande rei!”

         Em contraste com a vida íntegra e reta de seu pai Josias (renomado pela grande reforma espiritual que promoveu durante o seu reinado), Jeoaquim (também chamado Eliaquim) decidiu por um modo de vida que não agradava a Deus ( II Crônicas 36.5-8).
Conforme a narrativa do profeta Jeremias, ele construiu o seu palácio com injustiça e desonestidade, matou inocentes, e só enxergava os seus interesses egoístas (Jeremias 22.13-17). Jeoaquim se deixou dominar pelo espírito de grandeza do mundo. A tradução da Bíblia de Jerusalém (The New Jerusalem Bible) sugere que ele tinha uma paixão pelo cedro, um indicador de grandeza, riqueza e poder.

            A grandeza segundo o mundo foi o que desejou e viveu Jeoaquim, virando as costas para a grandeza de Deus, para a grandeza da herança espiritual que herdara de Josias e para a grandeza do privilégio que Deus lhe concedera de se tornar rei de uma nação. Mas não observamos qualquer grandeza no seu trágico fim: (a) morreu sem que sua família derramasse lágrimas por ele; (b) seus súditos não se importaram com a sua morte; (c) teve o funeral de um jumento morto – arrastado e lançado para fora dos muros de Jerusalém. Decreto de Deus como castigo por seus atos. (Jeremias 22.18,19. New Living Translation and The New Jerusalem Bible). 

            Assim morrem todos os que se apaixonam pela grandeza do mundo e desprezam a grandeza de Deus.