segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

“Alguém vai dizer: ‘Eu posso fazer tudo o que quero.’ Pode sim, mas nem tudo é bom para você. Eu poderia dizer: ‘Posso fazer qualquer coisa’. Mas não vou deixar que nada me escravize.” (I Cor. 6.12)

A esta altura da sua vida, Davi, o vencedor de gigantes, já dava demonstrações de que havia se tornado escravo da sua paixão desenfreada por mulheres (II Samuel 5.13-15). Se as “concubinas” aqui mencionadas forem as mesmas de II Samuel 15.16, sabemos, então, que Davi a esta altura da sua vida já havia tomado para si 19 mulheres – isso mesmo, d-e-z-e-n-o-v-e mulheres, a saber: Mical, Ainoã, Abigail, Maacá, Hagite, Abital, Eglá + 10 concubinas + outras esposas (duas, pelo menos). Dezenove mulheres aos 30 anos de idade!

É verdade que em nenhum lugar da Bíblia encontramos Deus repreendendo Davi por tomar para si tantas mulheres. Por outro lado, em nenhum lugar também O vemos colocando o Seu selo de aprovação nesta atitude do seu servo. Precisamos aprender a interpretar este tipo de silêncio de Deus na Bíblia. Davi estava fazendo uso de uma prática muito comum aos reis da sua época: a exibição de um grande número de mulheres simbolizava poder, prosperidade e autoridade. Deus sabia o que se passava no coração do seu servo, e assistia a tudo atentamente. Ele queria saber quais seriam as escolhas que o seu filho faria.

Chama-nos a atenção o fato de Davi ter tomado dez mulheres como concubinas, além das nove esposas. O relato bíblico faz uma distinção entre “esposas” e “concubinas”. Isso pode significar que Davi fez os votos conjugais com algumas destas mulheres, as esposas; mas com as concubinas, não havia votos (seria esta uma das razões por que ele deixou as concubinas para trás quando foi forçado a fugir de Absalão, seu filho? II Samuel 15.16). Estas mulheres foram somadas ao harém real simplesmente como uma forma de satisfazer o insaciável ‘amor’ que o rei tinha por mulheres, e, mais uma vez, como uma forma de exibição pública de poder, prosperidade e autoridade. Ao que parece, Davi estava mais preocupado em construir uma reputação do que aprimorar o seu caráter, mais preocupado em agradar aos homens do que a Deus.

É interessante como nós também, às vezes, começamos fazendo aquilo que nos é lícito, mas logo, logo progredimos para aquilo que nos escraviza, quando as nossas intenções não são retas diante de Deus. A pergunta com a qual Davi não quis lidar era se a sua prática, não obstante lícita, agradava o coração de Deus. Mas Davi simplesmente não conversava com Deus sobre este ‘quarto escuro’ da sua alma. Ele até consultava a Deus sobre as guerras que tinha que travar nos campos, mas insistentemente se calava quanto à batalha que travava no seu interior. Este é um quadro típico na vida de quem já tropeçou e caiu.

A razão pela qual Davi nunca conseguiu derrotar o gigante que, aos poucos, tomava forma dentro do seu coração, é que ele nunca o enfrentou com a mesma coragem, determinação e dependência de Deus com que enfrentou os outros gigantes. Pelo contrário, a cada página da sua história vêmo-lo nutrir – alimentar, acariciar, afagar – aquele que viria a se constituir, mais tarde, no gigante que nem mesmo ele, vencedor de gigantes, seria capaz de derrotar.

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