segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

Às vezes me pergunto se o desajuste que Davi tinha no seu relacionamento com as mulheres (aquela paixão insaciável) não provinha de um desajuste familiar. Tal desajuste acabou se tornando um desajuste emocional para Davi quando ainda criança, o que, mais tarde, desencadeou, acredito, um desajuste espiritual. A nossa sugestão é a de que Davi cresceu num ambiente familiar negativo e hostil à sua masculinidade. Como disse, esta é apenas uma ‘sugestão’(Desculpem-nos o devaneio).Todavia, temos três ocorrências bíblicas que parecem (eu disse, ‘parecem’) apontar nesta direção.

          A primeira delas é a que registra a unção de Davi como o futuro rei de Israel (I Samuel 16). Todos sabemos que Jessé, o pai de Davi, considerava-o, àquela época, apenas um garoto, uma criança. Teria Davi sido tratado como “apenas uma criança” também durante um bom tempo da sua adolescência? Teriam seus irmãos mais velhos utilizado esta expressão “apenas uma criança” com uma conotação derrogatória da sua masculinidade? (diga-se de passagem, muitos irmãos adultos cometem este tipo de crueldade com seus irmãozinhos, o que é de se lamentar profundamente).

          A segunda ocorrência bíblica encontra-se em I Samuel 17.28. As palavras de Eliabe, o irmão mais velho de Davi, podem ser puramente circunstanciais, mas podem também sugerir que Davi não era muito bem-quisto pelos irmãos, talvez por ser o caçula e “o filho mais querido da mamãe”.

          A terceira ocorrência é, na verdade, uma percepção da grande ausência dos irmãos de Davi nos negócios do seu reino. Esta ausência pode ser meramente casual, mas pode também significar um tipo de represália de Davi para com os irmãos.

          Nada do que foi dito até este momento pode ser claramente corroborado pelas Escrituras. Configura-se, no entanto, como um quadro plausível e muito comum dentro das famílias. Se este foi o caso na família de Jessé, como temos sugerido, sabemos, então, que Davi cresceu num ambiente negativo e hostil à sua masculinidade. Isso pode ter incutido no menino um sentimento horrível de inadequação e aceitação. Ao chegar à idade adulta, Davi tentou provar para si mesmo e para os sete irmãos mais velhos que ele era um homem de verdade. Infelizmente, fê-lo de maneira equivocada, acumulando para si uma quantidade desnecessária de esposas e concubinas. Aos trinta anos de idade Davi já havia tomado para si cerca de 19 mulheres (II Samuel 2.3-5; 5.13-15).

          Fico a pensar em quantos meninos em nossas famílias não estão hoje sendo emocionalmente massacrados pelas ‘brincadeiras’ e críticas cruéis de pais e familiares. Garotinhos que crescem se sentindo totalmente desajustados por não sentirem aceitos e amados por aqueles que deveriam ser os primeiros a lhes oferecer carinho, amor e proteção. Que Deus tenha misericórdia das nossas crianças!

          Fico também a pensar em quantos homens da nossa sociedade não têm hoje uma vida sexual desajustada por sofrerem maltratados na infância. Homens que tiveram a sua masculinidade criticada e ridicularizada, de alguma forma, durante a infância, e que, agora, na idade adulta, multiplicam as suas parceiras sexuais numa tentativa desesperada de provar para si mesmos e para os fantasmas do seu passado que não são aquilo que os outros sempre suspeitaram que fossem. Satanás valeu-se dos seus desajustes emocionais para conduzi-los a uma vida de desajuste espiritual. Que Deus tenha misericórdia de tais homens!

          A via que dá acesso à cura e perdão continua sendo a mesma: arrependimento, confissão e fé no amor incondicional dAquele que entregou a sua vida na cruz do Calvário por todos nós: JESUS.

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