Tal o pai, tal o filho, o neto, o bisneto...
O Pai: Com Bate-Seba, sabemos que Davi possui agora um harém com 20 mulheres. A esta altura, já sabemos que este elevado número de mulheres não é uma resposta de Davi à vontade de Deus para a sua vida; ao contrário, ele representa uma tentativa desesperada e descomedida de satisfazer um desejo incontrolável e insaciável que queima no interior de sua alma. Davi tornara-se escravo de tal desejo.
O filho: “Salomão casou-se com setecentas princesas e também teve trezentas concubinas. Elas fizeram com que ele se afastasse de Deus...” (I Reis 11.3,4a).
O neto: “Roboão casou-se com Maalate; o pai dela era Jerimote, filho de Davi, e a mãe era Abiail, filha de Eliabe e neta de Jessé (...) Depois Roboão casou-se com Maacá, filha de Absalão (...) Roboão teve ao todo dezoito mulheres e sessenta concubinas que lhe deram vinte e oito filhos e sessenta filhas (...) Roboão também teve a boa idéia de espalhar os seus outros filhos pelas cidade-fortalezas de Judá e de Benjamin. Deu-lhes grandes quantidade de alimentos e também arranjou muitas mulheres para eles.” (II Crônicas 11.18-23. Grifo nosso).
O bisneto: “Abias foi ficando cada vez mais poderoso. Ele casou com quatorze mulheres e foi pai de vinte e dois filhos e dezesseis filhas.” (II Crônicas 13.21).
Parece que aquela mesma paixão insaciável por mulheres, alimentada no coração de Davi, transferiu-se de uma geração para outra. Ouvi um pregador dizer certa vez que os espíritos malignos são “transferíveis”. Não sei afirmar com certeza se esta afirmação possui base bíblica, mas ela, sem dúvida, faz muito sentido, pois sabemos que os pais possuem uma ligação espiritual inseparáveis com seus filhos. Há, sim, uma herança espiritual que é transferida de pais para filhos.
Não se quer dizer, com isso, que os descendentes de Davi tenham se tornado vítimas indefesas das más escolhas deste; o que se quer ensinar é que eles também fizeram as suas próprias escolhas e que, no tocante ao relacionamento com mulheres, eles, infelizmente, decidiram seguir o mau exemplo deixado pelo grande ancestral da família. Será que Deus também nos responsabilizará pela influência exercida sobre as gerações que nos sucederão?
É verdade que Davi deu origem a uma geração de matadores de gigantes. Com a sua humildade, coragem e confiança em Deus, ele inspirou outros soldados a combater e derrotar diversos gigantes (II Samuel 21.15-22). Não devemos, no entanto, ignorar o fato de que Davi, por outro lado, deu também origem a uma geração de reis que foram controlados por um desejo insaciável por mulheres. E tudo começou quando ele decidiu que haveria de enfrentar aquele desejo com as próprias forças, sabedorias e armas. Davi, infelizmente, não conversava com Deus sobre este quarto escuro da sua alma... e, com isso, perdeu a oportunidade de abençoar os seus filhos, netos e bisnetos.
Davi se mostrou capaz de derrotar o gigante de Satanás que ameaçava o povo de Deus nos campos de batalha; infelizmente, mostrou-se fraco diante do gigante que batalhava nos campos do seu próprio coração.
O nosso amor, admiração e respeito por Davi permanecem; e fica registrado o alerta para todos nós. Que nos valha a graça e a misericórdia de Deus!
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