segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

As decisões que tomamos na vida ao longo dos anos assumirão o controle da nossa existência, com o passar do tempo, e poderão, até mesmo, ditar os nossos sucessos e fracassos. Alguém já disse que, primeiramente, nós decidimos fazer certas escolhas; depois, as escolhas que fizemos decidem por nós.

II Samuel 11:1-4: Davi comete adultério com Bate-Seba.
II Samuel 11:27: o Senhor não gostou do que Davi fez.

A esta altura, todos nós já sabemos que o problema de Davi com o sexo oposto não começou aqui. O pecado dele com Bate-Seba começou muitos anos atrás, quando ele, ainda jovem, decidiu tomar para si mulheres e mais mulheres como esposas, numa tentativa de satisfazer a sua paixão insaciável. Infelizmente, Davi sempre cedeu à tentação de achar que aquela era uma questão de números; se pudesse tomar uma ou duas mulheres a mais, pensava consigo, talvez pudesse finalmente pôr fim àquele fogo que ardia dentro do seu coração. Assim, várias outras mulheres vieram, mas a tal paixão nunca se foi. Talvez então, pensou, se obtivesse algumas mulheres apenas para satisfazer o seu apetite sexual (as concubinas), poderia assim, quem sabe, livrar-se de uma vez por todas daqueles desejos que se agigantavam dentro de si. E, para não correr o risco de algo dar errado, o jovem bem-sucedido rei de Israel somou ao seu harém não apenas uma ou duas concubinas, mas dez - isso mesmo, d-e-z!!! – de uma só vez, elevando, assim, o total do seu harém para dezenove mulheres. Desta vez, pensou, é certo que vou conseguir estancar o fluxo deste maldito desejo!

Mas Davi estava errado. No fundo, ele estava praticando o auto-engano; Davi passou a mentir para si mesmo (“A soberba do teu coração te enganou...” Obadias 3). Tiago 1.14 diz que “as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos.” (grifo meu) Ao invés de falar com Deus a respeito daquele desejo que o atormentava, Davi se calou e decidiu tomar as suas próprias decisões. Ele calculou, erroneamente, diga-se de passagem, que poderia vencê-lo sozinho, com a própria força, sabedoria e armas. Afinal de contas, ele havia se tornado um grande e famoso matador de gigantes. Lamentavelmente, Davi persistiu em não conversar com Deus sobre aquele quarto escuro e sombrio da sua alma. Talvez, cogitou consigo mesmo, se desta última - e única – vez, ele se deitasse com um outro tipo de mulher... aquela que fosse a esposa de um outro homem... talvez assim aquele maldito desejo se desfaria tão rapidamente quanto a neblina diante do sol. Uma única vez, e tudo estará resolvido; uma única vez, e ninguém sequer ficará sabendo; uma única vez, e nunca mais serei o meu próprio algoz!

Engano... decepção... mentira.
II Samuel 11.4 revela um poço de engano, decepção e mentira que Davi vinha, há muito tempo, cavando para si mesmo. Ele próprio era o culpado da sua queda. Não havia outro a quem culpar.

II Samuel 11.4 traz à tona aquilo que Davi, há muito tempo, vinha nutrindo em seu coração (e na sua cama). Depois de tantas escolhas erradas, ele já não era mais o mestre da sua vontade. Aquela paixão que ele tão generosamente alimentou ao longo dos anos cresceu a ponto de tornar-se um enorme gigante que nem mesmo ele, um vencedor de gigantes, seria capaz de controlar e derrotar. E, então, o esperado aconteceu: Davi caiu. E caiu feio. Desta vez, não é o gigante que tomba e cai, mas aquele que fez história derrubando gigantes.

Um grande sábio disse, certa vez, que os nossos fracassos não acontecem de uma hora para outra, mas são construídos ao longo de um tempo. O de Davi começou a tomar forma no dia em que ele desprezou a ajuda de Deus e decidiu que iria combater e derrotar o seu gigante interior com a força, sabedoria e armas próprias.

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