quinta-feira, 21 de julho de 2011

Fluxo menstrual intenso

Nós mulheres sabemos muito bem o quanto uma menstruação intensa pode ser extremamente desconfortável. O problema é que, menstruar em excesso pode ir além do desconforto e causar problemas à sua saúde relacionados à perda sanguínea excessiva, como anemia, além de poder ser o primeiro sinal de alguma doença mais séria, como distúrbios da coagulação sanguínea, ou até mesmo câncer ginecológico.É considerado normal uma menstruação durar entre 3 a 7 dias, com o fluxo de 80g por ciclo; na prática esta medida é impossível. Utilizar o número de absorventes como parâmetro pode ser enganoso, pois cada mulher faz as suas trocas de maneira diferente. Por isso, sempre que uma mlher reclama que sua menstruação está excessiva, algumas preguntas devem ser feitas: 1. o fluxo sempre foi assim, desde as primeiras menstruações? 2. está havendo um aumento progressivo no volume? 3. outros sintomas estão associados, como cólicas menstruais, dores fora do período menstrual ou na relação sexual? 4. há anemia secundária à perda sanguínea? 5. há outros sangramentos presentes ( retal, gengival, etc.)?
Após a anamnese, um bom exame físico é importante para avaliar o tamanho do útero, a presença de massas pélvicas e dor ao exame, que são dados que auxiliam no raciocínio diagnóstico.
A ultrassonografia é fundamental para uma avaliação inicial dos órgãos pélvicos, e nos ajuda a diferenciar as mulheres com fluxo intenso sem uma causa orgânica daquelas que tem uma doença orgânica. Várias doenças podem levar ao fluxo menstrual intenso e aqui vai a lista: miomas uterinos, pólipos endometriais, adenomiose, hiperplasias endometriais, cânceres de endométrio; além de doenças não ginecológicas, como distúrbios de coagulação ( plaquetas baixas, doenças hematológicas que levam a uma redução na coagulabiliadade do sangue) e disfunções hormonais ( insuficiência de progesterona, hipotireoidismo).
Quando uma causa é determinada, muitas vezes há tratamento específico para ela; p. ex, ao diagnosticar mioma uterino na posição submucosa, ou seja, miomas que se encontram em íntimo contato com a cavidade endometrial, o tratamento de escolha é a retirada deste mioma por via histeroscópica. O mesmo se dá com os pólipos endometriais.
Muitas vezes estas doenças podem ser controladas com métodos que reduzem o fluxo menstrual sem necessariamente tratar a doença em si, e o mesmo princípio é usado quando não há uma causa bem definida para o fluxo intenso. Vários tratamentos são propostos com eficácia comprovada na redução do fluxo menstrual:
1. Anti-hemorrágicos - ácido tranexâmico ( Transamin, Hemoblock): droga que age nos fatores de coagulação sanguíneos, ajudando a controlar o sangramento. São eficazes e devem ser usados a cada ciclo menstrual, por no máximo 5 dias.
2. Anti-inflamatórios - ácido mefenâmico ( Ponstan, Pontin), ibuprofeno ( Buscofem, Spidufen), piroxican ( Feldene), meloxican ( Melocox): reduzem o fluxo menstrual ao agirem na produção de citocinas inflamatórias endometriais. Devem ser usados no período menstrual, observando as contra-indicações ( gastrite, insuficiência renal), com a vantagem de auxiliarem no controle da cólica menstrual.
3. Anticoncepcionais hormonais combinados (estrogênio+ progestágeno) ou com progestágenos isolados: todos os anticoncepcionais reduzem o fluxo menstrual e, quando o fluxo persiste intenso, a menstruação pode ser suspensa com o uso contínuo do método.
4. Ablação ou Redução Endometrial: método cirúrgico histeroscópico no qual o endométrio é retirado, levando a suspensão completa ou parcial do fluxo menstrual - indicado para mulheres que não desejam mais ter filhos. O endométrio também pode ser destruido por aparelhos que fazem uma destruição térmica do mesmo, como o Therma-Choice.
5. Histerectomia: quando todas as medidas terapêuticas não surtem efeitos e a mullher não deseja mais ter filhos, uma opção seria a retirada do útero, que pode ser feita por várias vias: abdominal, vaginal ou laparoscópica.

Com o arsenal terapêutico atual, a maioria das mulheres consegue um bom controle do fluxo, com melhora da anemia e da qualidade de vida. Converse com seu médico à respeito destas opções.

3 comentários:

  1. O artigo é muito esclarecedor. Obrigada

    ResponderEliminar
  2. Estou tomando piroxicam segundo dia , porém minha mestruacao não diminuiu. No quinto dia vou tomar pílula.

    ResponderEliminar
  3. É bem esclarecedor. Estou fazendo uso do ciclo 21 indicado pelo ginecologista para melhorar a dor, por conta própria feldene Sublingual e Postan e nada melhora minhas cólicas que são antes durante e depois do ciclo!

    ResponderEliminar