Davi entrou para a história universal como um vencedor de gigantes. Porém, houve um gigante ao qual ele nunca derrotou: a sua paixão desenfreada por mulheres. Há gigantes dentro de nós que são muito maiores e mais difíceis de serem derrotados do que aqueles gigantes que estão do lado de fora.
Da última vez que encontramos Davi, ele, provavelmente na casa dos 20 a 23 anos de idade, já havia tomado para si nada menos do que três esposas, a saber: Mical, Ainoã e Abigail (I Samuel 25. 39-43). Este número nos leva a pensar que aquele interesse muito natural que Davi demonstrou pelo prêmio oferecido pelo rei Saul a quem vencesse o gigante Golias não foi, então, um desejo assim ‘tão natural’. Esta quantidade de mulheres pode revelar que o jovem Davi já abrigava naquele tempo em seu coração uma paixão desenfreada por mulheres. E ele passa, logo cedo, do sentimento para a ação. Percebemos que o grande rei Davi, tão vitorioso em suas muitas batalhas contra os inimigos externos, vai se tornando, de pouco a pouco, um escravo de um inimigo que reside dentro de si. Não o vemos tão determinado em combater e derrotar este inimigo; ao contrário, vêmo-lo nutrir, pouco a pouco, aquele que haveria de ser tornar no gigante que ele jamais conseguiria derrotar.
Agora, em II Samuel 3.2-5, já tendo sido consolidado como o rei de Judá, Davi é alvo de mais uma nota triste. Ela se refere ao seu descontrole, no tocante às mulheres; não mais três, mas sete – isto mesmo, sete – mulheres (e isso antes dos 30 anos de idade): Mical, Ainoã, Abigail, Maacá, Hagite, Abital e Eglá. É interessante observar como Davi transmitiu esta falha de caráter ao seu filho Absalão. E, como os filhos tendem a ‘aperfeiçoar’, por assim dizer, os pecados de seus pais, Absalão tomou para si não apenas sete, mas mil mulheres.
Ao ser consolidado rei de Judá e Israel (II Samuel 5.3-5), Davi decide dar mais um passo na direção contrária à vontade de Deus, e toma para si mais esposas e concubinas (II Samuel 5.13-16). Mais uma vez, o sucesso e o bem-estar externos pareciam não satisfazer os desejos incontroláveis de Davi; e, mais uma vez, não se percebe qualquer esforço de sua parte no sentido de combater e dominar estes desejos. Talvez Davi não estivesse percebendo, mas ele estava perigosamente nutrindo um desejo que mais tarde haveria de se tornar num gigante
dentro de si. Gigante este que nem mesmo ele, renomado vencedor de gigantes, seria capaz de derrotar.
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