segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

Davi costumava conversar com Deus sobre diversos assuntos da sua vida. Em I Samuel 23.12, por exemplo, vêmo-lo perguntar ao Senhor se os moradores de Queila o entregariam a Saul ou não; alhures, vêmo-lo indagar a Deus se deveria governar alguma das cidades de Judá (II Samuel 2.1). E assim por diante. Conversar com Deus fazia parte do seu dia-a-dia. Havia, porém, um assunto, sobre o qual Davi não se permitia conversar com o Senhor: o seu gigante interior; aquela paixão irrefreada por mulheres que ele, ao longo dos anos, preferiu nutrir, alimentar. Eu chamo este silêncio de “silêncio pecaminoso”.
          Davi era um homem de Deus. Homens de Deus também correm o risco de conversar com o Senhor somente aquilo que lhes interessa. Oração de conveniência. Davi nunca abriu para Deus aqueles porões da alma onde mantinha o seu gigante interior. E foi precisamente por esta razão que ele não resistiu à tentação com relação a Bate-Seba. Não que Bate-Seba fosse uma mulher de beleza irresistível; o problema, sabemos, estava naquele porão obscuro da alma de Davi. E como ele não foi devidamente tratado, um dia despertou e começou a exigir um espaço maior. Problema típico dos gigantes.

          Todos nós, filhos de Deus, também corremos o risco de conduzirmos uma vida de oração de conveniência: conversarmos com o Pai somente a respeito daqueles assuntos que nos interessam. Conversa de puro interesse pessoal. Chegamos a consultar a Deus sobre variados assuntos de nossas vidas; ora indagamos, ora pedimos, ora choramos e até imploramos, mas nunca tocamos naquelas questões que estão abaixo da superfície; delas, cuidamos nós. Não é de estranhar que alguns de nós tenham, de um lado, oração; de outro, sucessivos fracassos. Não nos falta conversa com o Pai; falta-nos, no entanto, tocar naquelas questões que insistimos em manter aquarteladas nos porões de nossa alma.

          Já é hora de trazermos os gigantes dos porões para o nosso quarto de escuta.
          A nossa mais convincente e fervorosa oração continua sendo uma vida de submissão e obediência a Deus.

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