Davi era um homem de Deus. Homens de Deus também correm o risco de conversar com o Senhor somente aquilo que lhes interessa. Oração de conveniência. Davi nunca abriu para Deus aqueles porões da alma onde mantinha o seu gigante interior. E foi precisamente por esta razão que ele não resistiu à tentação com relação a Bate-Seba. Não que Bate-Seba fosse uma mulher de beleza irresistível; o problema, sabemos, estava naquele porão obscuro da alma de Davi. E como ele não foi devidamente tratado, um dia despertou e começou a exigir um espaço maior. Problema típico dos gigantes.
Todos nós, filhos de Deus, também corremos o risco de conduzirmos uma vida de oração de conveniência: conversarmos com o Pai somente a respeito daqueles assuntos que nos interessam. Conversa de puro interesse pessoal. Chegamos a consultar a Deus sobre variados assuntos de nossas vidas; ora indagamos, ora pedimos, ora choramos e até imploramos, mas nunca tocamos naquelas questões que estão abaixo da superfície; delas, cuidamos nós. Não é de estranhar que alguns de nós tenham, de um lado, oração; de outro, sucessivos fracassos. Não nos falta conversa com o Pai; falta-nos, no entanto, tocar naquelas questões que insistimos em manter aquarteladas nos porões de nossa alma.
Já é hora de trazermos os gigantes dos porões para o nosso quarto de escuta.
A nossa mais convincente e fervorosa oração continua sendo uma vida de submissão e obediência a Deus.
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