segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

A vida do rei Davi exibiu muitos valores bonitos e preciosos, tais como a coragem, a humildade e a confiança em Deus. Infelizmente, porém, ela também exibiu, ao mesmo tempo, e principalmente para os próprios filhos, outros valores; estes, não tão bonitos e preciosos. Os campos de batalha exalavam a fragrância de um perfume agradável feito de ingredientes raros como a coragem, a fé e a humildade; já o harém - com, no mínimo, 20 mulheres, entre elas esposas e concubinas (leia II Samuel 3.2-5; 5.13-16; 11.27) -, exalava o mau cheiro de uma paixão totalmente rebelde e insubmissa ao rei. E este mau cheiro impregnou não apenas o ar do palácio, mas também a vida dos seus filhos. Se não, vejamos:

          II Samuel 13. Amnom força a própria irmã a ter relações com ele.
          II Samuel 16.22. Absalão tem relações com as 10 concubinas do próprio pai.
          I Reis 11.1-3. Salomão “ama” muitas mulheres estrangeiras e forma um harém com 700 esposas e 300 concubinas.

          Os campos de batalha revelaram a coragem, fé e humildade ímpares de Davi; a sua casa, porém, uma paixão rebelde e descontrolada! Coragem, fé e humildade foram, provavelmente, os valores que ele quis ensinar aos filhos; mas uma paixão descontrolada por mulheres foi o que eles aprenderam. Isso nos mostra que nossos filhos não vão aprender aquilo que lhes ensinamos através do discurso sem que o conteúdo deste discurso se faça perceber em nossas próprias atitudes. Em I Reis 2.1-9, por exemplo, Davi até que fez um discurso bonito para o filho Salomão (sem qualquer ironia, porque o discurso é bonito mesmo.) sobre o dever de se fazer aquilo que o SENHOR manda (se bem que ele gastou mais tempo falando de justiça contra os seus inimigos do que da obediência devida a Deus), e o rapaz até que começou bem a jornada, mas a imagem do harém do pai cheio de mulheres parece ter falado mais alto ao seu coração,ao final.

          Então, a primeira lição que Deus parece querer me ensinar aqui é que meus filhos ouvirão tudo aquilo que lhes ensino sobre a vida, mas, no afinal, absorverão a vida que vêem em mim, especialmente dentro de casa. A segunda, é que, como pai, preciso emitir mensagens consistentes aos meus filhos. A terceira, é que aquelas práticas lícitas - mas não edificantes (I Coríntios 10.23) - que trago para dentro do meu lar hoje podem vir a se tornar a causa da ruína dos meus próprios filhos amanhã (Por exemplo, a “inocente” cerveja que hoje trago para dentro de casa pode vir a se tornar a inimiga que amanhã escravizará e ceifará a vida dos meus próprios filhos). A lição seguinte é que conhecimento e informações até podem ser transmitidos através de discursos; já caráter, somente através da vida.

          Ao observar a lista dos filhos de Davi, percebemos que a maior parte era composta de meninos. A pergunta que nos ocorre, então, é: teria sido uma boa idéia formar um harém dentro de casa com tantas mulheres aos olhos de tantos rapazes? A resposta que nos ocorre é: Davi não pensou nisso; ele não se preocupou com os efeitos disso sobre os filhos. Ele parece não ter agido com razão, mas somente com o coração. E nós já sabemos que o coração é o lugar onde ele travava as suas maiores batalhas contra aquele gigante que ele nunca conseguiu derrotar.

          Oração: “SENHOR Deus, quer dentro ou fora do meu lar, eu quero que a minha conduta exale o perfume de uma vida que glorifique o Teu nome! ( II Coríntios 2.15) e que ela seja um instrumento do Senhor para imprimir no caráter dos meus filhos a imagem do Teu Filho. Abro mão das práticas que me são lícitas, ó Pai, para fazer somente aquilo que agrada a Ti.” (Salmos 40.8)

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