Mas Davi, equivocada e perversamente, escolheu guardar silêncio absoluto sobre aquilo que se passava nos porões da sua alma. Depois, há o silêncio que Davi manteve após Bate-Seba. Estudiosos do Antigo Testamento acreditam que o intervalo entre o ato de adultério e o confronto com o profeta Natã teve a duração de um ano completo (Charles R. Swindoll in “David: a man of passion & destiny”, p. 199, por exemplo). Se este cálculo estiver correto, sabemos, então, que Davi passou um ano inteiro tentando se esconder no seu “silêncio pecaminoso”. Mais uma vez, ele escolheu não abrir o seu coração para Deus; mais uma vez, ele julgou que sozinho poderia superar e subjugar aquele mal que habitava os recônditos da sua alma; mais uma vez, ele pensou que poderia sair vencedor daquela situação.
Mas Davi estava enganado. O seu próprio coração perverso o enganou. Amado, este tipo de silêncio é pecaminoso. Esconder os nossos erros do Pai é uma tendência natural do homem, mesmo daqueles que já se tornaram Seus filhos . Tem sido assim desde o Éden. Quando inquirido por Deus a respeito da sua desobediência, Adão não quis admiti-la; ao contrário, ele tentou esquivar-se, justificar-se, e, até mesmo, culpar o próprio criador. O texto bíblico diz que Adão e sua mulher tentaram se esconder de Deus. Jesus disse que todos aqueles que fazem o mal odeiam a luz e fogem dela, para que ninguém veja as coisas más que eles fazem (João 3.19).
Tentar encobrir os nossos pecados, e fechar o nosso coração para Deus é uma atitude pecaminosa, e, portanto, auto-destrutiva. Sim, porque o pecado é destrutivo em sua natureza. Ele destrói o corpo, a alma, a integridade, a família, o relacionamento com Deus, tudo.
Se achamos que durante este intervalo de doze meses de silêncio Davi alcançou o zênite das delícias do amor com Bate-Seba, estamos completamente enganados. Aqueles foram dias de choro, de tristeza, de dissabor, e de sofrimento... Deixemos que o próprio Davi os descreva: “Enquanto mantive silêncio a respeito do meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro. De dia e de noite, tu me castigaste, ó Deus, e as minhas forças se acabaram como o sereno que seca no calor do verão. Então (depois que o profeta Natã o confrontou) eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados.” (Salmo 32.3-5).
Se você também está vivendo hoje sob a tirania de um pecado, se você está literalmente se consumindo no esforço de manter no fundo do mar aquele pecado que teima em vir à superfície, (E não se engane: mais cedo ou mais tarde ele virá à superfície), saiba que há uma palavra de livramento, perdão e conforto para você: “Se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele...perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda a maldade.” (I João 1.9) “Tu anseias hoje mesmo a salvação? Tens desejo de banir a escuridão? Abre então de par em par teu coração! Deixa a luz do céu entrar!” (Nº 239 CC).
Quebre hoje mesmo, meu amado, este silêncio pecaminoso!
O poder que ainda mantém você refém do erro não é a prática do pecado em si, mas o seu silêncio.
O Pai está pronto e desejoso de ouvir, ainda hoje, a sua confissão: “Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados.” (Salmo 32.3-5).
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