segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“O GIGANTE QUE DAVI NUNCA DERROTOU”

Davi, o vencedor de gigantes, mostrou-se impotente diante da sua paixão desenfreada por mulheres. E esta “paixão carnal” - ou vício -, causou-lhe muito sofrimento e dor. Exteriormente, Davi mostrava-se um guerreiro forte e aguerrido; interiormente, porém, um homem fraco e resignado diante daquele gigante que o dominava. Aos trinta anos de idade, Davi já havia tomado para si pelo menos onze – isso mesmo, o-n-z-e – mulheres (II Samuel 3.2-5; 5.13-15), e – pasmem! -, já era pai de d-e-z-e-s-s-e-t-e filhos! Estes números revelam o interior de um homem escravizado por um desejo, ou o quê?

Quantos de nós, hoje em dia, não estamos também vivendo aprisionados por desejos e práticas que contrariam a vontade de Deus? Quantos de nós não estamos hoje lançando as sementes de um pecado que amanhã se tornará num gigante ao qual não seremos mais capazes de derrotar? Quantos de nós não estamos morrendo aos poucos interiormente, vítimas das nossas próprias paixões carnais? Há, com certeza, vitória nesta luta que travamos contra os gigantes da nossa alma (Gálatas 5.24,25), mas há que existir, primeiramente, o reconhecimento da existência do erro e da própria culpa (Salmo 51.3,4). Nossa confissão a Deus precisa representar o reconhecimento sincero da nossa culpa dos pecados que cometemos e a decisão de abandoná-los, e não apenas uma tentativa sagaz de escaparmos das conseqüências dolorosas que estes provocam. Davi parece jamais ter conseguido derrotar o seu gigante interior porque ele jamais lutou contra este gigante com a mesma humildade, determinação e dependência do Senhor com as quais enfrentou o gigante Golias nos campos de batalha; pelo contrário, a cada página da sua história, vêmo-lo nutrir – alimentar, acariciar, afagar -, pouco a pouco, a sua paixão.

O fato de Deus ter usado Davi poderosamente tantas vezes não excluiu um outro fato: o de que ele nem sempre foi fiel às orientações de Deus. E isso fez com que ele pagasse um preço elevadíssimo pelas suas más escolhas. É digno de nota e louvor o fato de que Davi tenha consultado a Deus tantas vezes no que concerne às suas batalhas exteriores (II Samuel 5.19), mas é lamentável observar que, nem uma vez sequer, vêmo-lo buscar a orientação do Pai no tocante àquela prática que, aos poucos, ia constituindo um gigante dentro do seu coração. Houvesse ele declarado diante de Deus a sua chaga e miséria, e clamado desesperadamente por socorro e livramento, certamente o Todo-Poderoso o teria ouvido e providenciado ajuda e vitória. Mas Davi simplesmente não conversava com Deus a respeito deste quarto escuro da sua alma...

À época de Davi, possuir um grande número de mulheres e filhos havia se tornado um símbolo de prosperidade, riqueza e poder. Parece que Davi preferiu ajustar a sua vida à moda dos seus dias a conformar-se às demandas de Deus; em outras palavras, Davi parecia estar mais preocupado com a sua reputação do que com o seu caráter. Alguém disse que reputação é aquilo que as pessoas dizem a nosso respeito; caráter é aquilo que Deus diz a nosso respeito. Todos nós, sem exceção, corremos o risco de perder o equilíbrio e cair na armadilha de tentar agradar e satisfazer as pessoas, a fim de construirmos uma boa reputação, com o prejuízo inevitável do nosso caráter.

É possível que Davi não se apercebesse (o que eu, particularmente, duvido), mas, desta forma, ele estava nutrindo – alimentando, acariciando, afagando – um sentimento que, pouco a pouco, estava tomando a forma e adquirindo a força de um gigante que, mais tarde, nem mesmo ele, um vencedor de gigantes, seria capaz de derrotar.

Que a sinalização de advertência ao longo do caminho nos sirva de alerta.

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