Esta interessante expressão é usada pelo escritor Philip Yancey em seu livro “Disappointment With God” (“Decepcionado Com Deus”, p. 297) . Ele disse estar escrevendo para aquelas pessoas que já “ouviram o silêncio de Deus.”
Dentre os muitos filhos de Deus que já “ouviram”, por assim dizer, o silêncio do Pai numa situação de sofrimento e dor estão, com certeza, os filhos de Israel nascidos no Egito durante o período da escravidão. A Bíblia diz que Deus silenciou-se não apenas por um, dez ou vinte anos, mas por 400 longos anos: “Ele disse a Abraão: ‘Os seus descendentes vão viver como estrangeiros em outra terra. Ali eles serão escravos e serão maltratados durante quatrocentos anos’.” (Atos 7.6) Se você acha que Deus tem-se mantido em silêncio com relação à sua e sofrimento por muito tempo, o que pensar da situação daquelas pessoas? Sempre que, egoisticamente, enxergamos somente a nossa situação, sucumbimos à tentação de achar que ninguém jamais experimentou dor como a nossa. Uma simples ‘olhadela’ nasituação daqueles que sofrem ao nosso derredor pode nos servir de conforto e, até mesmo, encorajamento.
Quando lemos a história dos 400 anos de escravidão e maus tratos sofridos pelos filhos de Israel no Egito ( e do concomitante silêncio de Deus), ficamos a pensar em quão difícil deve ter sido para as crianças israelitas nascidas naquele período, acreditar nas histórias das grandes intervenções de Deus na vida dos homens. “Como acreditar nas promessas de libertação e prosperidade de um Deus que se mantém calado e indiferente ao nosso sofrimento há tantos anos?”, podem ter indagado. “Se é que, de fato, existe um Deus todo-poderoso, cheio de amor e misericórdia, como nos têm ensinado nossos pais”, talvez assim concluíram. De uma coisa podemos estar certos: a realidade daquela gente conspirava contra a crença e a confiança em um Deus justo, santo e amoroso. Tudo o que eles tinham era promessas; promessas e escravidão; promessas, escravidão e maus tratos. E de quebra, silêncio: um silêncio que se manteve firme e inflexível por um período de q-u-a-t-r-o-c-e-n-t-o-s anos. Nenhuma voz profética, nenhum sonho revelador, nenhuma manifestação visível de poder, nada, nada; apenas o silêncio... silêncio sisudo de um Pai que ama mas que não profere uma palavra sequer. A fé teria mesmo que nascer, nutrir-se, crescer e se fortalecer apenas com as promessas de Deus. Promessas feitas a antepassados muito distantes... (às vezes me pergunto se não é esta a genuína fé que Deus quer fazer nascer em cada um de seus filhos!).Com certeza, isso foi o que aconteceu com muitos anônimos israelitas que experimentaram um rico e dinâmico relacionamento com Deus, não obstante terem nascido, vivido e morrido neste período de completo silêncio de Deus. Homens e mulheres que nasceram pela fé, pela fé se fortaleceram, e, alicerçados nela, morreram. Homens e mulheres que “não receberam as coisas que Deus tinha prometido, mas as viram de longe e ficaram contentes por causa delas.” (Hebreus 11.13; leia também o verso 39)
O mesmo texto bíblico que recorda o silêncio de Deus (Atos 7.6), faz-nos também lembrar de duas verdades eternas que não somente nos confortam mas também enchem de esperança: 1ª. Deus está nos controle da história. Ele pode escolher calar-se às vezes, é verdade( o que nos parece abandono); mas Ele continua dirigindo os destinos de seus filhos para os fins que Ele mesmo determinou; 2ª. Deus está sempre agindo em favor de seus filhos. Às vezes Ele decide agir no silêncio, é verdade(o que nos parece omissão); mas Ele está sempre trabalhando em favor daqueles que O amam. Sempre.
Se o silêncio é tudo o que você tem conseguido ouvir da parte de Deus nestes últimos meses (e, quem sabe, anos ou, até mesmo, décadas), console-se, anime-se e fortaleça o seu coração com o fato de que Deus está no controle da sua vida e continua trabalhando em seu favor.
O Deus que às vezes escolhe calar-se às vezes desafia o homem a encontrá-Lo no silêncio.
Sem comentários:
Enviar um comentário